• Beatriz Couto

Uso de carvão ativado e argila não são a solução para crise da água, diz professora


Convocada para esclarecer os problemas no abastecimento de água do Rio, a audiência pública na Alerj, ontem, foi marcada por protestos. Deputados e ativistas interrogaram o ex-presidente da estatal, Hélio Cabral, que disse “não sentir confortável em responder as perguntas”, deixando as pressas a plenária. Com isto, os parlamentares passaram a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Cedae. A má qualidade da água se arrasta por mais de um mês e, para a mestre em ciência ambiental e professora da UFRRJ, Thais Gallo, implantação de meios alternativos como o uso de carvão e argila “não é solução do problema”.


Moradores do Rio e região Metropolitana reclamam há mais de um mês do gosto de terra, do cheiro e da coloração da água. Conforme a Cedae, a mudança se dá por conta da presença de geosmina, substância orgânica produzida por algas, perto da Estação de Tratamento de Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A estatal relatou que não há perigos à saúde e começou tratamento adicional com carvão ativado e argila no final de janeiro. Até o momento, as queixas em relação ao gosto, ao cheiro e à cor continuam.


A professora de ciência ambiental da Universidade Federal Rural do Rio de Janeio (UFRRJ), Thais Gallo evidencia a longa história que a população carioca vive a respeito da má qualidade da água. “O problema do Guandu é muito maior que apenas os surfactantes (detergentes ou emulsificantes) e gesmonina, pois dejetos são lançados há décadas e bebemos essas águas há muito tempo”, explica. Gallo ainda cita que privatizar a estatal não é solucionar os problemas, já que a qualidade da água são de efluentes de fontes difusas que seriam difíceis de mensurar ou qualificar.


Audiência pública fica sem respostas


O ex-presidente da Cedae, Hélio Cabral, fez uma apresentação na audiência pública com uma série de slides, revelando quais conjunturas encontrou a empresa quando tomou posse do cargo, no ano passado. Foram citados investimentos nos maquinários, redes elétricas e reservatórios durante sua gestão, já que os equipamentos da Estação de Tratamento do Guandu eram “obsoletos e pararam no tempo”. No discurso, ele culpou a deficiência histórica de saneamento, intensificado pelo crescimento desorganizado da cidade, como uma das conjunturas da crise.


Pressionado pelo deputado Gustavo Schmidt (PSL) para responder as questões sobre a crise hídrica, Hélio disse estar desconfortável para respondê-las e pediu para elas sejam feitas para o seu sucessor. Arrumou seus documentos e foi embora do salão, deixando deputados, jornalistas e sociedade civil sem respostas. Um funcionário da Alerj, que não quis se identificar, exprimiu surpresa com o ocorrido. Em quatro anos de atuação na casa, nunca havia visto uma cena como essa. Para a deputada Renata Souza (Psol), a atitude de Hélio Cabral foi capaz de unir todos os partidos para a instalação da CPI, o que foi um “tiro no próprio pé”.


Em diversos momentos da audiência, foram ouvidos gritos de “essa conta não é minha” e “CPI JÁ”. A ação foi comandada pela ONG Meu Rio, que mobilizou 40 mil assinaturas para o ressarcimento do consumidor. A deputada Lucinha (PSDB) abriu a sessão citando um decreto N° 45.344, artigo 3 de agosto de 2015 para a regulamentação e fiscalização da Cedae, que determina o ressarcimento dos consumidores por danos decorrentes da prestação de serviços. Para a deputada, a atual crise na distribuição também se dá pela falta de investigação por parte da AGERNESA - órgão fiscalizador da Cedae.


Ao final da sessão, em entrevista com os jornalistas, o deputado Luiz Paulo (PSDB) defendeu que a compra e implantação do carvão ativado e argila para o tratamento da geosmina foi uma solução mais fácil e rápida para a empresa. Para ele, não foram feitos estudos suficientes a respeito da quantidade específica de inserção do carvão ativado e argila para a estação.

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