• Por: Beatriz Couto

O que é geosmina e a crise na qualidade da água do Rio


Moradores de diversas partes do estado do Rio de Janeiro sofrem há cerca de uma semana, com a má qualidade da água que sai das torneiras. A coloração escura e o cheiro forte encontrados pela população tem uma explicação, de acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) a produção em excessiva de substância orgânica, a geosmina, é a resposta. A partir do episódio, consumidores questionam o monitoramento da água. Os últimos dados disponíveis do Índice de Qualidade da Água (IQA), divulgados no site da Agência Nacional das Águas (ANA), datam de 2017.


Em entrevista ao jornal O Globo, Sandra Azevedo, professora do Instituto de Biofísica da UFRJ, explica que as geosmina nada mais é que um composto orgânico produzido por algas, elas quando em grande quantidade tem a capacidade de gerar mau cheiro e gosto terroso na água, porém não interfere em sua coloração. Considerada pouco tóxica, o elemento não traz risco a saúde e pode ser removida com a utilização do carbono ativado – método utilizado há décadas em São Paulo.


O Comitê de Guandu, colegiado que desenvolve projetos de melhoria de qualidade e quantidade da água doce bruta, disponibilizou para o Instituto OndAzul o seu último relatório anual, de outubro de 2017, sobre a qualidade da água do Rio Guandu – principal distribuidor de água do Rio de Janeiro. Na análise, realizada a partir de dados da Agência Nacional das Águas (ANA), todos os parâmetros de qualidade estavam dentro dos índices impostos, mas não há um relatório recente sobre a situação do rio.


A medição da qualidade do Guandu foi desenvolvida para avaliar a qualidade da água bruta visando seu uso para o abastecimento público, após tratamento. O exame é obtido através de nove parâmetros ponderados por pesos, dispostos em função de importância e quantidade de concentração de substâncias tóxicas, como protozoários patogênicos.


Consumidores reclamam sobre o atual estado da água, queixando-se de mal-estar e problemas intestinais após o consumo do líquido, mas ainda não é possível afirmar que estão sendo provocados pela água. Como uma forma de resolver o problema, alguns especialistas em saneamento básico pedem que a população utilize somente água mineral.


Em nota, a estatal afirmou que fará a pulverização do carvão “apesar de todos os testes realizados nos últimos dias terem apontado que a água fornecida está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde e própria para o consumo”. O produto vai começar a ser usado nos próximos dias.


Segundo a Cedae, outros estados como São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, onde a geosmina aparece com mais frequência, já adotam esse procedimento. Aqui no Rio, a substância foi detectada na estação de tratamento em 2004. A Cedae notificou que, conforme informado, a geosmina não apresenta risco à saúde e que continuará fazendo o monitoramento de todo o sistema de abastecimento ao longo da semana.

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