Sirkis, agradeço a sua confiança e lealdade.


Tive o raro privilégio de conviver com o Alfredo Sirkis, de forma muito intensa, nesses últimos dez anos. Ele foi responsável pela difícil decisão que tomei de migrar do ambiente corporativo, no auge da carreira, para uma experiência totalmente nova. Ao lado dele sempre me senti confiante e seguro. Nossa parceria consolidou-se naturalmente ao longo do tempo. Existia algo que nos complementava. Um aprendizado permanente e uma cumplicidade produtiva. Ele sempre foi a referência que eu precisava nesta nova empreitada. Nunca conheci alguém com sua capacidade de trabalho e brilhantismo. Fiz a escolha certa. Fica um vácuo difícil de preencher a essa altura.


Cheguei num momento especial da vida dele, e do partido que ele fundou: o Partido Verde. Mais de 20 milhões de votos na eleição presidencial de 2010 e a eleição dele para a Câmara Federal. Um cenário perfeito para um projeto ambicioso de terceira via e a materialização de um sonho construído por ele para um futuro bem próximo.


O convite para o trabalho aconteceu no dia seguinte ao segundo turno das eleições de 2010. Um telefonema às 6:50 da manhã, bem ao estilo Sirkis de ser, e um convite para um encontro. Durante o almoço aceitei o desafio de ser seu chefe de gabinete. Deixei claro não ter qualquer experiência no cargo. Ao que prontamente ele respondeu: nem eu. Rimos.


O impossível aconteceu e tudo mudou de uma hora para a outra. A partir daí vivemos um turbilhão de emoções. Acompanhei de perto tudo isso e fiz o que pude para ajudá-lo nesta nova etapa. Sua frustração com o ambiente político-eleitoral se agravava a cada dia até a decisão de não mais se candidatar em 2014. Presenciei sua desfiliação do PV e comparo esta cena marcante como a de um pai velando seu filho. Realmente, ele não merecia passar por aquilo. Perdemos todos: eu, você, o PV, o Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo.


Descrever sua trajetória e a relevância do seu legado no contexto ambiental, cultural e político, brasileiro e internacional é chover no molhado. Seu patrimônio intelectual, moral e ético, bem como, suas realizações, seus projetos e suas obram falam por si só. Sirkis era a pessoa certa para qualquer posição de relevância na estrutura política e ambiental brasileira. De vereador ao Senado no Legislativo; de prefeito a presidente da República; de secretário municipal à ministro de Estado no Executivo. Um gigante!


Por último, nos últimos quatro anos à frente do Centro Brasil no Clima, colecionou conquistas importantes colocando a agenda climática na pauta prioritária apesar de todo retrocesso e negacionismo que vivemos. Só alguém da sua envergadura consegue tal feito. Sua obra mais recente, Descarbonário, conta sua trajetória ao longo destes últimos quarenta anos de atividades. Leitura obrigatória e indispensável.


Sirkis, agradeço a sua confiança e lealdade. E, principalmente, a oportunidade de ser uma pessoa melhor depois de conviver com você. Descanse em Paz!

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